quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Eu no Recanto, o Recanto e Eu



Novembro é o mês de aniversário tanto do Bluemaedel quanto da minha escrivaninha no Recanto. E aqui algumas notas sobre minha experiência neste último ao longo destes quase cinco anos publicando ‘letripulias’ e ‘otras cositas más’.

Pois bem, o Recanto das Letras é um bom espaço para quem ainda está se descobrindo na escrita, mas não o vejo como um lugar onde se incentive e busque o hábito de manter relevantes discussões sobre a arte de escrever. Não. Discussões sobre literatura mesmo são raras até. Aliás, como em todos os outros sites ‘literários’ dos quais já pude participar na Internet brasileira. Exceto alguns grupos fechados e com poucos usuários, os chamados fóruns de discussão, nos quais se pode colocar questões e obter respostas de pessoas no mínimo interessadas em manter uma conversa produtiva sobre um dado tema. A maioria dos usuários no Recanto das Letras demonstra não ter tal preocupação, e eu não condeno isto de jeito e maneira, porque cada um sabe (ou deveria saber) o que busca ao participar de um site. 

Não deixa de ser, no entanto, um espaço válido para divulgar escritos e, tendo muita sorte, fazer ou obter alguns comentários produtivos ou feedbacks bons. Muito raramente as pessoas estão dispostas a discutir ‘os textos’, e como pulam rapidamente para temas pessoais centrados em intriguinhas, vejo o Recanto muito mais como uma rede social aberta, um lugar para encontrar pessoas relacionadas à atividade de escrever, do que como uma oficina para o escritor ou escritora que deseja algo mais sério. Em várias ocasiões tive a sensação de estar presenciando um desfile de egos, e nessas horas eu não recomendaria nem ao meu pior inimigo (sorrio), mas nessas horas só (ainda sorrio).

Porém, que fique bem claro: o Recanto teve um papel fundamental em minha formação como escritora, pois foi lá que comecei a ir adquirindo coragem para publicar, pelo que sou muito grata e reconheço o seu valor, também pelos grandes talentos que encontrei (e continuo encontrando) por lá, mas não sem a ajuda do acaso e do garimpo (sorrio). Resumindo: quem é imune a fofoquinhas e banalidades pode tirar muito proveito do espaço.

Grande vantagem do Recanto, no entanto, é a oferta de um plano gratuito de assinatura e a congregação de gente de todo o Brasil, um corpus lingüístico aberto que se formou naturalmente e segue crescendo, além de estimular a leitura e levar pessoas comuns a escreverem, o que para mim já é mais do que uma razão para nele permanecer e, com estas ressalvas, recomendar.





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Um comentário:

  1. Helena, este mês completo dois anos de Recanto. Também foi lá que comecei a criar coragem de postar minhas brincadeiras com a palavra. Concordo com você em tudo o que diz. O Recanto é uma " vitrine" onde alguns egos muito inflados se expõe, ao lado de outras pessoas que querem exercer seu ofício amador de escritor e crescer. Mas este crescimento só se dará se o autor buscar por seus próprios meios, porque o feedback se resume a elogios mais ou menos sinceros, seguidos de " viste-me com" . Em geral, é uma troca de rasgação de seda. Mas fiz bons amigos lá, encontrei vários talentos e ali fico, agradecida pelas portas que me abriram, embora hoje poste menos que no início. Admiro muito a sua lucidez. Abraços

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