segunda-feira, 23 de maio de 2011

Isso é Tema pra Você?


Há temas que dão tesão, e outros, muita dor de cabeça! Falo de tema como ponto central, sobre o qual se quer falar (ou escrever). Tema, pra quem escreve, pode não ser tema, pra quem lê. Isso acontece muitas vezes comigo, que é quando me calo ou, no popular, deixo ‘rolar’. Vez ou outra me pergunto como pode autor e leitor se cruzarem, e nas entrelinhas, por sinal. Há também temas espinhosos, que incomodam ao se tocar, como sexo ou religião, por exemplo (haja tato!). Já em Lingüística, tema significa a informação já dada num enunciado, que é a idéia que se quer comunicar, e por vezes puxa o rema, que nada tem a ver com remo ou remar, e traz a nova informação. Tema e rema rimam com problema, e os três vêm do mesmo lugar: os berços gregos. Assim sendo, muitas vezes, vou sem tema mesmo, e sem me culpar. Mas, o que teria isso a ver? Se sogra, tema e rema nada dizem a você, então jamais terá problemas ao usar frases do tipo: 'Ontem levei a cachorra da sogra pra passear!' Desde que seja mansa, nada manje de Lingüística, nem seja coral, varie o tema sem ter pena que ela nem vai captar — mas talvez morda! —  BVIW - 24a. Rodada.



Texto vencedor da taça bronze da 24a. rodada de crônicas do BVIW, junto com Tema Lindo, de Deyse Félix. A prata foi para Novo MST?, de Ângela Ramalho e a ouro para Modernices, de AnaMarques e Felizes dos que te têm, de Marília L. Paixão. Excepcionalmente, essa rodada aconteceu no Recanto, não no site do BVIW. Veja os demais textos nas escrivaninhas das respectivas autoras no Recanto das Letras.



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Helena Frenzel
Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2011
Código do texto: T2969587




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Um comentário:

  1. O tema pode ser o novelo, o meio dele ou aquele fiozinho que desenrola a meada inteira. rsrs.

    Gosto desse pensamento:
    "Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
    Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. O dedo sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir à marginalia, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário."
    (Carlos Drummond de Andrade, Para Gostar de Ler)

    Abração, Helena. paz e bem. E uma ótima semana também.

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