quarta-feira, 30 de abril de 2014

Seria o pensamento positivo a pior das ilusões?


Alguém, numa rede social, sugeriu um experimento interessante: separar um recipiente transparente e nele ir guardando, durante todo o ano, registro de todos os momentos de alegria e, num dado ponto, fazer um balanço geral. Outra pessoa sugeriu que, para o experimento ser mais completo, deveria-se registrar também os momentos de tristeza, mas não sem antes ressaltar que os momentos tristes predominam, mas o ser o humano prefere esquecê-los. Será mesmo?

Ao ler este meu comentário percebe-se claramente que ele não carrega a eloquência dos que citam Platão, Nietzsche, Aristóteles e outros grandes pensadores, digo: leram o que estes filósofos (eles mesmos) de fato escreveram, e não só uma parte do que outros já escreveram sobre o que eles 'supostamente' teriam escrito. Pois bem, sou uma pessoa muito simples, para não dizer prática e comum, e não sei nem gosto de ser eloqüente, lembrando que ser breve não implica ser superficial.

O que eu quero dizer em núcleo é que, das minhas leituras e vivências, construí a seguinte visão:  parece haver duas teses possíveis: 1. o mundo não é tão ruim assim e as coisas mudam dependendo das ações do ser humano ou 2. o mundo está perdido mesmo e não importa o que se faça nada poderá mudar essa situação. Ponto. Tudo bem. Agora lembrando o que está escrito no livro bíblico Lamentações de Jeremias, Capítulo 3, versos 22 e 23: “22 As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misercórdias não têm fim; 23 renovam-se a cada manhã.” 

Pois sempre tive para comigo que, embora desconheça a razão desse sentir, minhas esperanças também se renovam a cada manhã, e o meu otimismo idem. Mas isso não é uma lei, é uma escolha pessoal, e só. Tanto a tese 1. quanto a tese 2. podem muito bem ser falsas, considerando que TUDO o que nos cerca e nos forma poderia ser uma  ilusão muito maior. Então nos resta pelo menos a escolha de qual das ilusões alimentar. Aquela velha história do filósofo oriental que ilustra qual lado de nós permitiremos crescer: o lado bom ou o lado mau (não pude reter o riso faceiro ao pensar no Darth Vader). 

Por causa da esperança, da fé, ou do instinto de sobrevivência (só pode ser), eu escolho a ilusão primeira: acreditar que as coisas podem sim mudar dependendo das nossas ações. A velha teoria da perspectiva, de que podemos escolher ver o copo meio-cheio ou meio-vazio e, independente de ser real ou não, parece-me mais produtivo escolher crer no que nos causa menos prejuízo, não? 

Então, diante do copo esqueço o meio-vazio e trato de matar minha sede com a quantidade de água que tenho à disposição, e ainda agradeço, pois no copo poderia haver apenas ar, e eu morreria de sede. 

Será que prejudica tanto assim tentar tirar sempre o melhor do pouco que parecemos ter? Tentar definir objetivos realistas e alcançáveis nesta nossa curta vida? De qualquer modo, os potes são apenas uma muleta, concordo, ou uma medida de controle que, se bem não faz, mal também não... Então, por que não tentar? Tento eu! Se for para me iludir de qualquer jeito... o otimismo continua parecendo a melhor opção.




© 2014 Helena Frenzel. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons - Atribuição - Sem Derivações - Sem Derivados 2.5 Brasil (CC BY-NC-ND 2.5 BR). Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito à autora original (Para ter acesso a conteúdo atual aconselha-se, ao invés de reproduzir, usar um link para o texto original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

2 comentários:

  1. Helena, penso que esses potes, mais que nos iludir, poderão nos fazer refletir sobre a vida. Auxiliarão sobretudo os pessimistas, que se deixam consumir e paralisar pela visão sempre negativa da vida e do mundo. Muletas ou não, creio que vale tentar... Abraços

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