quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Teoria das inspirações para deixar o ar entrar (Samara Bassi)


Capa: divulgação


Tive o prazer de ter diante dos olhos, e bem seguro nas mãos apoiadas no peito, este livro de Samara Bassi, um belo fruto de autopublicação — categoria para a qual muitos ainda torcem o nariz sob o juízo de inerente baixa qualidade; preconceito que, por vezes, uma simples leitura pode dissolver.
Minhas impressões? Capa bonita e suave combinando com um título diferente e convidativo. Prefácio muito bem escrito, inspirado e inspirador, precedido por uma dedicatória bela e cativante.
Bem estruturado, nota-se o cuidado com os detalhes e um conceito claro para a disposicão dos textos, o qual se confirma quando se chega ao final. Conteúdo muito bom e recomendável tanto pelos sentidos quanto pela forma de jogar com as palavras. A opção por uma linguagem mais simples e coloquial não chega a comprometer a qualidade estética do texto e de quebra torna-o mais acessível a um público maior.
Vivendo na época em que vivemos — onde tudo em literatura já foi tentado, dizem os literatos —, e pela limitação do meu olhar, exagero e arriscado seria falar em ineditismo e inovação, mas se estilo compreende o jeito peculiar de alguém escrever, digo com segurança que as construções deste livro têm um quê de próprio e diferente. A leitura remeteu-me a filosofias espiritualistas, como informado na sinopse aliás, e a influências de Tagore, Manuel Bandeira, Manoel de Barros, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e outros. A quebra de certos paradigmas e a campanha por liberdade, sobretudo na escrita, lembraram-me as frechadas de “Tiro ao Álvaro” de Adoniran Barbosa.
Se tivesse que encontrar um rótulo, eu diria que está entre a prosa poética, os poemetos e o pensamento. O jogo de palavras mais se assemelha ao que passei a chamar de letripulia*, e não chamaria o que li de pura autoajuda, não mesmo. Enquanto lia, visualizei o livro como um grande calendário, ilustrado ou não, com cada dia ofertando uma pílula de inspiração para ler. No livro, contei 142 pílulas, fica a sugestão para a autora juntar a elas outras 223 numa segunda edição e oferecer aos leitores nos 365 dias do ano uma por dia para inspiração.
Resumindo: coletânea de letripulias bem elaborada que permite ao leitor uma leitura prazerosa, contínua ou fragmentada, sem imposições. O conteúdo bem se adequa ao perfil do livro e em se tratando de obra de iniciante e autopublicação, o resultado é muito digno de atenção, um presente que pode ser bem-vindo e apreciado por vários tipos de leitores, não só para aqueles que, por acaso, estejam precisando de um pouco mais de ar ou sol. Neste contexto, Samara Bassi é um nome marcado para acompanhar e este livro é uma boa recomendação.

Ficha técnica:

Título: Teoria das inspirações para deixar o ar entrar – um sopro de vida para acompanhar você
Autora: Samara Bassi
Nr de Páginas: 155, Impresso e EBook
Onde comprar:

*Letripulias: estripulias com Letras; com letras, estripulias. E com artes, em geral. Letripulista é quem letripulias faz.

Nota: este comentário registra apenas minha visão e experiência pessoal com o texto, não visa formar opiniões. Assim sendo, sempre incentivo ir direto à fonte, ler o texto original e tirar as próprias conclusões. Olhos ao texto então. ;-)

Um comentário:

  1. Oi Helena,

    Senti-me muito feliz e presenteada com suas palavras, como crítica e também como leitor.
    Li com carinho seus dizeres e é com imensa satisfação que agradeço essa forma séria e também, cativante e bem "letripulista" que você conhece bem rs.

    Como já havia dito a você, achei muito interessante essa ideia de "calendário" e quem sabe não dê frutos num futuro bem próximo, não é?

    Achei gostoso e bacana a semelhança que você fez ao citar Rabindranath Tagore, penso eu, numa impressão sua de naturalismo e contemplação que o livro te trouxe e a analogia com Adoniran foi fantástica.

    Coração agradece e espero que o livro possa acima de tudo, trazer esse bem estar para outros leitores também. Afinal, essa é a proposta.

    Aliás tenho certeza que sim, a começar pela participação admirável de Marcio Rutes, na elaboração do Prefácio.

    Beijo na alma,
    Sam.

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