sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A Letra Cria. Veredas: Grande Sertão!




Quando penso no que a Literatura faz comigo eu penso muitas coisas, todas boas por sinal. Lembro-me de já adolescente, ou ainda pré, negociando com mamãe para poder ver uma adaptação. Passava à noite, muito tarde, e cedo eu tinha que dá pé. Não havia lido o livro e a história me cativou. Diadorim com seus mistérios e olhos ‘esmerardos’, Riobaldo e sua luta com o Cão, as guerras dos Jagunços, a chefia de Joca Ramiro, o caso do macaco comido, que a falta do rabo elucidou. E do final, final bonito com todos os segredos desnudados, da trama e da atriz, no seriado. Somente há pouco caiu-me às mãos o livro e, finalmente, matei a sede de ler. Por já conhecer o final, e a história, temi não achá-lo interessante, mas, mire e veja no que deu: um mimo, o livro é bom demais, Literatura da boa, da gema, dos trilhos das Gerais, um tipo de livro que se pode ler mil vezes e pouca diferença faz já saber o final. A forma como Riobaldo descreve os Sertões que nele há, dentro dele bem, é magnífica e Guimarães Rosa dá vida a um sertão lingüístico nas serras do Gerais, sertão tão úmido, colorido e vivo que passa a ser real e ter odor, chega dá vontade da gente buscar no mapa cada pista que ele dá, nos nomes, e haja imaginar! Sou do nordeste e sertão, para mim, não é seca d’água, é fartura de imaginar, há que ter muita fantasia para se ser sertanejo, ali nascer, lutar, e descansar no final, como no Paredão descansa Diadorim... Olhe, recomendo muito a leitura deste livro, são 608 páginas declaradas de amor a genuínas letras e aos Gerais e, discordando deste meu comentário, problema nenhum não, lhe digo como Riobaldo falou: “A gente nunca deve de declarar que aceita inteiro o alheio — essa é que a regra do rei! O senhor... Mire e veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior.” Afinei com este livro. “O que lembro, tenho”, pois é!

Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa, Editora Nova Fronteira. 
ISBN 85-209-1885-9.

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