quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para que eu me lembre como foi





Não sou muito fã de blogs pessoais, admito. No entanto, alguns são muito bons, bem escritos, o autor ou a autora já passou por tantas e tantos e tem ótimas histórias para contar. Desde 1995 venho usando a Internet e sempre mantive sites, porém mais voltados para o trabalho, o que me interessa mais. Em 2005, passando por uma crise, voltei a escrever, mas só para mim mesma, buscando chão. Nessa época redescobri a escrita como terapia, pois há muito tempo não escrevia quase nada pessoal, nem cartas. Daí um amigo me disse: "Por que você não cria um blog?". Também contou-me que, numa crise, saíra um dia navegando sem destino e parara num desses blogs pessoais. A autora vivia situação semelhante à dele e seus textos trouxeram-lhe consolo, alívio e um novo olhar. Lógico que como “homem que é homem não chora” essa autora não recebeu dele sequer um “muito obrigado” porque “macho que é macho não lê blogs desse tipo" e muito menos sai por aí "se emocionando" com o que lê. Daí pensei: se minha experiência puder ser útil a mais alguém além de mim mesma, tenho um bom motivo para criar um blog, não é mesmo? Porém, segui ocupando-me com coisas mais importantes até que em 2008 meu mundo caiu outra vez: novas marcas, novo marco, um dos maiores até aqui. Para ajudar-me a juntar os cacos surgiu o Blog da Helena, contudo minha experiência com textos pessoais não perdurou e o Blog da Helena abriu alas para o Bluemaedel passar, revelando-me a literatura e as artes como os medicamentos mais eficazes desde que o ser humano aprendeu a rabiscar. Analisando meus textos, não sei se tenho conseguido fugir dos contornos do próprio umbigo, mas a escrita tem me permitido cada vez mais ‘sair do couro’, ‘ser’ muitos e assumir vários papéis, os mais exóticos e alheios. Ou estaria eu enganada, já que enorme é o apelo e deliciosa a tentação dos relatos pessoais? Muito depende de como se conta uma história, não é mesmo? Meu caso com o Bluemaedel tem me mostrado que parece ser possível, sim, falar da vida sem exposições desnecessárias e o que é melhor: compartilhar. 

PORÉM, e que isto fique BEM CLARO: nada disto seria possível sem a participação dos leitores que, com seus valiosos comentários, ajudaram este blog e a letripulista a chegarem onde chegou. E este 'textículo', além de contar um pouco desta história, é para expressar aos fiéis leitores e leitoras minha enorme gratidão: Muito Obrigada!






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3 comentários:

  1. Olá, Helena. Admiro tua escrita, e como você sabe, eu acho que quando a gente põe na tela ou no papel o que a gente escreve, é impossível não se expor. Sinceramente, eu não tenho medo de me expor; por que teria? É claro que não vou postar fotos de minha casa, endereço, telefone, etc. mas meus sentimentos são os mesmos que muita gente tem, e o que eu passo é o mesmo que todos passam. É ou não é?

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    1. Ana, agradeço por enriquecer este espaço com seu ponto de vista, e pelas leituras frequentes e comentários em meus textos em geral. Neste post eu nem pensei em julgar motivos alheios para escrever, cada pessoa que publica sabe bem o porquê. Eu não tenho medo de me expor em meus escritos, eu DECIDI O MENOS POSSÍVEL ME EXPOR em meus escritos, são coisas diferentes. Não porque eu tenha algo a esconder, minha vida é comum até demais e meu mundo é muito pequeno, simplesmente amo a minha privacidade e quero que certas coisas continuem assim: só para mim e para os mais próximos. Como pus no perfil deste blog lá no FB: “Bluemaedel é mais uma oficina da escritora do que um diário pessoal. Se bem que, bem procurados, vestígios da letripulista poderão ser encontrados - entre um hífen e uma vogal, por exemplo!”. Quando se escreve sempre se imprime vários pedaços do que se é de verdade no papel, conscientes ou não. O meu propósito na escrita é falar da vida como um todo e de sentimentos humanos, de forma autêntica porém universal, afastada dos relatos puramente pessoais; até mesmo para que meus escritos possam servir mais a outros do que a mim mesma, seguindo um caminho literário natural. Se tenho conseguido esse efeito com o Bluemaedel é a pergunta feita também aos leitores. Desconheço e por isso mesmo não condeno motivos alheios para escreverem sobre si mesmos, aqui tento apenas comemorar a existência deste site, partilhar com os leitores um pouco de sua história e agradecer pela atenção. Um abraço fraterno, inté mais ver!

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  2. Oi Helena! Que bom que tem coisas grandes que se escondem nas pequenas. Falando de sua narrativa em fazer o primeiro blog, nossa! Isso é muito legal, mesmo porque sei muito mal e mal responder e-mails... bom, isso você já sabe. Mas quero te dizer que você teve uma válvula de escape, e isso ajuda muito a sairmos de crises e outras dores mais. Eu acho que é isso... beijos

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