sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Somos Amigos?


Foto: HFrenzel - "Um por todos e todos por um, ou ao contrário!"



Ontem, lá no site do BVIW, a colega Ana Toledo postou uma crônica questionando as chances de ainda fazermos amigos de verdade na era das redes sociais. Naturalmente sua crônica foi uma linda homenagem a seus amigos e amigas, mas não deixou de suscitar questões mais genéricas, atributo de toda boa crônica, aliás. 

Pois bem, penso que sempre é tempo de fazermos novas amizades se nos abrimos para tal, mas eu acho prudente e saudável ter certos critérios antes de sair por aí chamando todo mundo de amigo. Quando eu entrei no Recanto havia uma recantista que foi logo me chamando de amiga assim do nada, sem nem me conhecer. Eu, mais prudente, nunca usei o mesmo tratamento e fui deixando o tempo agir. Belo dia, por eu ter passado algum tempo sem visitar sua escrivaninha, ela me aparece e dá uma ‘bronca’ no sentido infantil de: “se você não me visita, eu também não!”. Como eu não ligo para essas coisas, segui o meu caminho e ela nunca mais voltou e eu duvido que continue me chamando de ‘amiga’, para alívio meu. Só um exemplo de como os relacionamentos são ‘fortes’ na rede. 

Eu costumo dizer que fora da família eu tenho 'contatos', 'conhecidos', 'conhecidos mais chegados' e 'colegas', dentre estes, ‘colegas mais chegados’, que são as pessoas com quem trabalho e partilho, pessoas pelas quais tenho um grande carinho, considero e/ou admiro; e tento não misturar os conceitos. 

Com formação em  Ciência da Computação não me vejo deslumbrada com a tecnologia, já que os cientistas trabalham para tornar realidade o que um dia foi ficção. Como o meu trabalho exige que eu passe muito tempo na rede, nada mais natural do que deixar os relacionamentos de fora, no campo real. Por outro lado, de um ponto de vista social e psicológico, vejo as redes sociais se transformando em agrupamentos de panelinhas e cada vez mais instrumento de bullying e exclusão, o que só me faz querer manter distância delas como pessoa privada e alertar para os perigos da exposição pessoal.

Recentemente abri uma conta no Facebook com o mesmo propósito de todas as empresas que eu conheço: anunciar produtos. E como o que eu venho produzindo se propõe a ser literatura, ainda que eu não o comercialize não posso me dar ao luxo de ignorar as mídias sociais, por mais que elas me aborreçam. 

Bom, é isso! Amigo, para mim, é todo aquele que já encontrei pelo caminho e, além das afinidades naturais, seguimos algum tempo dividindo um saco de pedras ou de algodão que tínhamos para transportar. Se você já fez isso, considere-se um deles, senão demos chance ao universo que ele conspirará a nosso favor. E ao invés de um saco de pedras, quem sabe não um caminhão de bits? Se você quiser ser meu amigo, é claro, mas se não quiser, sigamos em paz!





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