segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Ele chegou!

Foto: HFrenzel 2012




Quando o sol demorou a sair eu soube, o frio nos pés e nos ossos vieram me confirmar. Que ele havia chegado eu soube. “Chegou afinal”, falei. Assoviava o vento e a chuva fina dedilhava na janela a trilha do seu chegar. Assim eu soube, sonhei que ele estava chegando e quando acordei ele já estava lá, no ponto. Fui ao seu encontro logo cedo, ainda escuro. Sacola arrumada e sem desculpas, algum empecilho (?) nada, nada racional. De mãos dadas com os bolsos fui ao seu encontro. E ao ver-me saindo, com uma salva de folhas o vento me saudou: chuva natural de confetes, bela, cheirando a novo frescor, molhado, esperança desfalecida alegre, satisfeita por vê-lo chegar. Saí hoje cedo logo de manhãnzinha só para encontrar com ele e saciados do tempo ficamos sós, por um momento e um pouco mais. Então, maravilhado, cessou o vento por um instante e a espiar-nos, sorrateiro e manso, vimos o velho sol despertar. Final de setembro, quase, ele veio este ano. Mais tarde ou mais cedo, todo ano ele vem e fica três meses, renova-me as forças e então se vai. Eu o amo e sempre o aguardo na certeza bamba de que ele não falha e na esperança falsa de não sentir sua falta ao vê-lo passar.

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3 comentários:

  1. Que lindo texto, Helena... eu amo o frio, detesto o calor. nasci para viver em Londres, mas nasci no Brasil... fazer o quê?...

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    1. Oi, Ana, obrigada! Escrevi sem pensar muito, fui deixando o clima me levar. Me alegro em saber que tenha gostado. E vindo de você, que escreve poemas tão belos, é um elogio e tanto :-) Obrigada! Um abraço fraterno, inté!

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  2. O Sol em sua glória após dias e dias cinzentos é motivo de festa por aqui. Imagino a comemoração da chegada do astro rei após meses de frio intenso por aí. Lindo texto, Helena. Fico feliz em ler e ver que posso comentar novamente os Blogs de minha preferência (tive que excluir o meu próprio Blog: alguma configuração me impedia de deixar comentários). Abraço. Meriam

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