domingo, 5 de junho de 2011

Saúde & Cia.


“Saúde e paz, do resto a gente corre atrás.”, bordão com o qual um apresentador (ou ex) costumava terminar um programa de TV brasileiro semanal. Pensando em como funciona o sistema de saúde nos EUA, e no Brasil, essa frase tem tudo a ver: ninguém pode adoecer! Nos EUA, por exemplo, até onde sei, são vários os casos de milionários que acabaram na ruína após adoecerem ou se acidentarem, por causa dos custos inimagináveis e do funcionamento do sistema de saúde de lá, baseado em planos privados, como no Brasil. Ou seja, quem não puder pagar já está condenado.

Lembrei disto após ler um post interessante no Blog do Cacá (1) sobre a classificação das doenças em municipais, estaduais e federais, determinando quem deverá arcar com remédios e tratamento. Não é à toa que esta nota é da série Tragédia Humana Diária, pois como diz a Susana Barbi, rir é o melhor remédio, nesse e noutros casos.

Pois bem, a primeira vez que baixei hospital na vida foi aqui na Alemanha, e ao acordar numa UTI, toda entubada, após agradecer a Deus por estar viva, fui tomada pelo pânico: Como iremos pagar essas horas de UTI? Há quanto tempo será que estou aqui?

Quando meu marido chegou para me visitar e contou o que havia se passado comigo da sala de operações até ali, um alívio imenso me tomou ao ouví-lo: “Calma, não estamos no Brasil, não será preciso vender a alma ou a casa para pagarmos o hospital.” Mais tarde, quando chegou a prestação de contas, quase não cri: o seguro-saúde que pagamos ao Estado arcou com quase tudo! A nós, apenas a estadia no hospital e o transporte da ambulância, baixa quantia.

Incrível! Pobres e ricos freqüentam os mesmos hospitais, não vi diferença no tratamento básico. Lógico que, quem pode pagar mais, e havendo camas suficientes, pode optar por pequenas mordomias, como um quarto só para si, comida especial etc. E ainda tem gente que reclama! Lógico que há problemas, sempre haverá, e em qualquer lugar, mas creio que os daqui serão sempre vistos como bagatela por quem só pode contar com sistemas como o da saúde pública no Brasil.

Não penso que a Alemanha seja pior ou melhor, é, sim, apenas um exemplo do que ocorre quando o povo exige do governo prioridade à Saúde e à Educação, propiciando um tratamento mais igualitário e o desenvolvimento, de fato, do país. E isto não é utopia, sim o que tenho visto e vivenciado do lado de cá.




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Helena Frenzel
Publicado no Recanto das Letras em 04/06/2011
Código do texto: T3013293





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Um comentário:

  1. Meu pai é quem diz mais ou menos assim: acho que um país não deveria se preocupar em ser potência econômica se não oferece ao seu povo uma estrutura satisfatória de saúde, educação e segurança. Ele – que não tem pretensões políticas – não fala isso por discursismo. É apenas um cidadão mostrando sua indignação diante do noticiário febril que anuncia o Brasil como país do futuro, como se o presente fosse um detalhe bobo.

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