quarta-feira, 9 de março de 2011

Outra forma de pensar sobre comentários

Imagem: Colagem 'Perfil Montado' - HFrenzel 2011


Belo texto, um abraço. Quem nunca reclamou ao receber este tipo de comentário atire a primeira letra, mas antes, por favor, leia este texto.

Comentários neste formato podem significar várias coisas, entre elas: a pessoa não leu, está caçando comentários ou, simplesmente, tentando se proteger no oceano da Internet, já que num ambiente aberto TUDO o que escrevemos está para apreciação mundial. E não me diga que caiu no conto de que é possível apagar o que se põe na rede; cópias sempre ficam, em algum lugar.

Nós, seres net-humanos somos sociáveis por natureza. “Quem não deve não teme!” Besteira, a questão na Internet é bem outra. Trata-se de um controle constante do que se deve publicar na rede ou não, questão de segurança própria e de terceiros. Por exemplo, tecendo uma colcha de comentários através do google é muito fácil construir um perfil verídico de uma pessoa, e pior: muito mais fidedigno do que qualquer outro que ela mesma tenha elaborado e publicado na Internet.

Todos estamos sujeitos a cair na armadilha de revelar mais do que deveríamos sobre nós mesmos. Talvez um brasileiro ache estranho este meu texto e logo pense que tenho algo a esconder. Natural esse pensamento, já que proteção de privacidade não está na pauta de discussões no Brasil. Uma vez, lendo uma entrevista com um autor inglês de passagem pela Flip, ele disse estar boquiaberto com o grau de abertura dos brasileiros. Em outros países, as pessoas são muito reservadas, mas no Brasil, basta perguntar e as pessoas vão logo se abrindo, disse ele. Perigoso, não?

Assim como já existem programas que checam, por exemplo, o grau de agressividade em um texto — aconselha-se não agir de cabeça quente, não responder imediatamente a um e-mail ofensivo ou escrito no auge da emoção, porém o mundo está cheio de pavios-curtos, pessoas impulsivas, eu inclusive, o que é difícil controlar — seria bom que existissem também outros para checar o grau de informação sensível num texto, uma medida do quanto estamos revelando sobre nós. Pode até ser que já existam, mas se as pessoas muitas vezes deixam de lado um simples corretor ortográfico, com tais filtros não seria diferente. Em suma: o que cada um publica ou não acaba sendo uma decisão puramente pessoal e, acredite: muita gente sequer já parou pra pensar nisto.

Escrevendo este texto, sinto-me como quem grita num deserto, pois as grandes corporações na Internet incentivam exatamente o contrario: tudo na rede ( o próximo passo será a extinção dos discos rígidos, pois tudo estará on-line). Grande risco deixar certos dados na mão de terceiros, pois segurança na rede não existe e duvido muito que algum dia possa existir.

Portanto, para evitar problemas futuros, de hoje em diante, estarei tentando aderir a comentários no seguinte formato: . Ao receber comentários assim de desconhecidos, tente não julgar mal logo de cara, e condenar o indivíduo. Pode ser mesmo que a pessoa só esteja tentando se proteger.


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Se deseja reproduzir este texto, no todo ou em parte, favor respeitar a licença de uso e os direitos autorais. Muito obrigada.
Helena Frenzel
Publicado no Recanto das Letras em 06/03/2011
Código do texto: T2831233


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3 comentários:

  1. Outro dia eu peguei um filme já em andamento num canal fechado e nem deu para ver o nome, mas o interessante é que o enredo é mais ou menos um controle absoluto do governo sobre todas as coisas e movimentos das pessoas. O objetivo era controlar o crescimento populacional. As pessoas eram vigiadas 24 h, tanto com filmagens como através de seu cartão magnético que rastreava tudo, tudo, tudo. Isso me parece que era um filme de ficção feito há uns trinta anos e o ano em que ocorria o evento era 2021. Já estamos quase lá, sem ficção nenhuma. Acho difícil escaparmos daqui pra frente. Não para controle populacional mais, talvez para colocar a civilização num rumo menos paranóico em relação à violência. Adianta? Não sei. Por isso eu não me preocupo muito com o que eu faço na rede. Abração, Helena. paz e bem.

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  2. Sim, sou a Nicole do BVIW! =)

    Fico feliz que tenha passado no meu blog e comentado lá, por isso vim aqui retribuir a visitinha!

    As pessoas realmente se expõem demais na internet! Às vezes conheço amigos de amigos online e em dois minutos de conversa já estão dizendo o nome, onde moram, o que fazem... Eu tenho ótimos amigos virtuais, mas só comecei a trocar informações mais pessoais com eles depois de um bom tempo de "convivência"! E o brasileiro é muito aberto mesmo, coisa que até me irrita um pouco. As pessoas começam a puxar assunto e pegam intimidade com uma facilidade impressionante! Eu sou muito reservada, não sou chegada a conversas com estranhos que nunca mais vou ver na vida rs

    A gente precisa mesmo se preservar, ou pelo menos tentar. Mas receber um comentário desse tipo é mesmo frustrante. Parece que a pessoa tem medo tanto de elogiar quanto de criticar, ou não apreendeu nada do texto.

    Abraços!

    http://vivereler.blogspot.com/

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  3. Existe muuuiiiita interpretação equivocada a respeito de nossos textos e comentários, infelizmente. O melhor seria quanto menos falarmos, melhor!... ou optarmos pelo silêncio. Mas, como você mesmo disse no início do post: “somos sociáveis por natureza”

    Quanto aos nossos textos revelarem algo de nós mesmos, em parte sim, não sei até que ponto. Se tiver algum programa para avaliar uma pessoa por meio de seus escritos, até gostaria de me conhecer melhor, já que muita coisa que eu escrevo é meio que inconscientemente, como que explorando os paradoxos da vida.

    Abraços,Helena!

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