sexta-feira, 11 de março de 2011

Notas


Notas curtas, baixas ou altas. Desde bem pequena, tenho mania de fazer anotações. Minha mãe também fazia. Talvez venha daí esta minha inclinação. E após receber o certificado de mais um curso, — concluído com nota boa, por sinal — estou cá, mais uma vez, perguntando-me o sentido das notas da vida; conceitos, valores ou simples anotações. Começo pela última, que na verdade foi a primeira. Examinando diários mais recentes, já que os antigos destruí, notei que, para os momentos mais conturbados da minha vida, havia unicamente uma nota, curta, profunda e, por vezes, codificada — prova viva do quão difícil para mim é escrever quanto maior a dor, e a confusão. Há escritores que (parece!) necessitam não estar bem para poder escrever. Daí que suas vidas é uma sucessão de baixos e baixos, de becos sem saída e melancolia sem fim. E este último comentário me leva à outra categoria: notas e conceitos, dados ou recebidos por nós mesmos ou pelos outros. Não gosto de ter que avaliar nada, muito menos alguém, e justo pela arbitrariedade do processo, que, via-de-regra, nada tem de  justo. Se ‘avaliar’ é muito difícil, ‘avaliar bem’ implica complexidade ao quíntuplo! Gosto de estudar e dar aulas, mas não gosto de avaliar, muito menos de ser avaliada. Entre dar e receber notas, prefiro observar e só fazer anotações. Capacidade, aptidão, brilho? Afinal de contas, o que prova uma nota mais do que um simples registro de uma situação?



Este texto é um exercício e também foi publicado no site BVIWtecendoletras.


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Helena Frenzel
Publicado no Recanto das Letras em 07/03/2011
Código do texto: T2832908


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