quinta-feira, 31 de março de 2011

ELAS FALAM SIM!

    Foto: HFrenzel


Não era a primeira vez que se encontrariam, mas naquele dia ela queria que fosse especial. Já que estava num shopping, buscou uma loja; agora só restava escolher a cor: entre uma rosa e outra vermelha, pegou a amarela. Seguiu então para o saguão, local marcado, e no meio da multidão, seu coração ‘viu’ quando ele veio, pontual. O sorriso que ele trazia transformou-se em linha ao ver que ela tentava esconder algo atrás de si. “Idéia tonta! Talo delator!”, praguejaria ela, mais tarde. “Não, por favor, por favor não faça isso!”, disse ele, em desespero, e aproximando os lábios a um de seus ouvidos pediu baixinho que fingisse que era para ela aquele botão. Um espinho cravou-se em sua mão, apertada como o órgão que lhe parecia haver parado no peito. Pensou que talvez rosas tivessem algum significado ruim para ele, ou talvez... Sem saber bem o que fazer, foi deixando que ele visse de uma vez ‘a surpresa’, ocultando, porém, a ferida do espinho na palma da mão. “Pegue a rosa, é pra você!”, ela tentou dizer ainda, ao que ele, interrompendo-a, repetiu: “Faça de conta que é um presente meu para você, por favor, por favor!” “Sem problemas...”, respondeu, e salvando o encontro por mais um pouco: “Vamos, que ali há uma mesa que acabou de vagar!”. Diz uma canção que as rosas não falam, mas aquele botão amarelo bem que lhe revelara uma sábia lição: “Rosas para um homem, minha filha, jamais!” Tivesse ela ouvido o cáctus, não teria levado tanto tempo para descobrir os girassóis, muito mais simples... Com esses, sim, ela tem sido muito mais feliz!



Texto também publicado no site BVIWtecendoletras - participante da 18a. rodada de desafios com o tema 'Pegue a Rosa'

A taça bronze foi para 'As rosas do rei', de Ângela Ramalho, a prata para 'Minutos difíceis', de Ana Toledo e a ouro para 'Meu coração rosa leviana', de Meriam Lazaro. Confira!


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Helena Frenzel
Publicado no Recanto das Letras em 31/03/2011
Código do texto: T2881598


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